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December 12, 2018 - Ushuaia volta

December 12, 2018 -  ?> | 2 comments | Viagem

Volta para casa

Décimo-primeiro dia de viagem

Ushuaia – Rio Gallegos 12/01 -> 590 km

Depois de onze dias em viagem, contados no relato anterior (Ushuaia – ida), agora é hora de começar a volta e, claro, muito mais rápida que a vinda! Saímos logo cedo, com um bom café servido antecipadamente pelos donos da pousa Las Retamas. Amanheceu frio, afinal, sabíamos que o calor era fora de época e de propósito, mas nada horrível para dois curitibanos. Acho que estava uns 7 ºC. A grande vantagem era que o céu estava bem azul, o que significa que logo o sol nos aqueceria.

Ushuaia Las Retamas

Paramos ainda no passo Garibaldi para tirar uma foto, desta vez com sol! E seguimos viagem. A medida que fomos mais para o norte o tempo foi piorando, e o vento voltando a soprar com força. Na saída da Argentina e entrada no Chile, paramos antes para abastecer, Ali tem um posto bem antes da aduna argentina. Passado pela imigração, pegamos o rípio um pouco úmido o que permitiu aumentar a velocidade. O Balcewicz resolveu, por conta própria, inaugurar o trecho recém concretado e foi pela estrada nova, ainda fechada. Eu, teimoso, segui pelo estrada de chão a todo vapor. Chegamos no transbordador com uma chuva leve e um pouco de frio. Passado a travessia, logo chegamos na aduana de saída do Chile e entrada na Argentina. Foi muito rápido, e seguimos em frente em direção a Rio Gallegos, já na Argentina. 

Ushuaia laguna escondido
Laguna Escondido, agora com sol!
Ushuaia, lago Fagnano
Lago Fagnano, é muito bonito!
Ushuaia Estreito de Magalhães
Atravessando o estreito de Magalhães, na volta. Frio e chuviscos.

Logo mais chegamos em Rio Gallegos. Uma cidade grande, plana, bem organizada. Já fomos direto a um posto de gasolina encher os tanques e após procurar o hotel, já reservado. Ficamos no Apart Hotel Austral, um hotel simples, mas bem cuidado, com estacionamento fechado. Tomado o banho fomos a procura de um restaurante. O engraçado é que tivemos de esperar pelo restaurante abrir, pois ao contrário daqui, eles somente abrem passado as nove horas. E nós morrendo de fome. Tomamos novamente o litrão de cerveja, desta vez confundindo as cores da cerveja: tinha uma rubia e outra roja. E queríamos a mais escura então pedimos a rubia, que descobrimos ser clara, loura! Não faz mal, pedimos outra e provamos ambos os tipos!

Ushuaia Rio Gallegos
Jantar em Rio Gallegos.

Décimo-segundo dia de viagem

Rio Gallegos – Comod. Rivadávia 13/01 -> 782 km

Outro dia de estrada, desta vez com uma quilometragem um pouco maior. Só as grandes retas da ruta 03, o vento e o mar azul. Aliás, o oceano Atlântico aqui nesta região é muito interessante, pois por causa dos fortes ventos de oeste, não tem nenhuma onda, parece uma grande baia!

Ushuaia, volta
Corpen Aike

Continuamos em nosso ritmo, com vento lateral sempre presente, mas estradas vazias, para variar. A paisagem não muda, fica muito monótona, como solução, enrolar o cabo! 

Ushuaia, volta
O oceano sem ondas!

Paramos para tirar umas fotos do oceano Atlântico, com seu lindo azul ali próximo de Caleta Olívia. Por causa da proximidade com Comodoro Rivadávia, o movimento aumenta consideravelmente. Para ajudar, a rodovia acaba cortando cidade, e nestes trechos, temos de andar a baixas velocidades. 

Ushuaia, volta
Pedrinhas redondas por toda a parte.

As pedras acima são muito comuns em toda a Patagônia e formam o rípio, tão temido. Ao contrário das nossas pedras que devem ser britadas, as argentinas são roladas, por causa da ação das geleiras, milhares de anos atrás. Agora, imagine se equilibrar nestas pedras! Mais um pouco de estrada e chegamos a Comodoro. Fomos direto para o hotel, bem no centro da cidade e depois de instalados, fomos dar uma volta na orla. Acabamos jantando no hotel, Hotel Austral, que tem um bom restaurante, bem como o café da manhã. Tomamos uma garrafa de vinho e dormimos bem.

Ushuaia, volta.
Comodoro Rivadávia, maré baixa.

Décimo-terceiro dia de viagem

Comod. Rivadávia – Rio Colorado 14/01 -> 924 km

Outro dia de grande deslocamento. Ainda dentro da Patagônia, mas cada vez mais para o norte. Paradas para abastecimento e lanche e segue o ritmo. Aqui neste trecho passamos um apuro, pois o posto de gasolina estava racionando. Só podia encher 200 pesos, o que infelizmente não encheu os nossos tanques. E filas, claro! Por sorte chegamos antes desta vez. A fila se formou depois de nós.

Na continuação da subida, encontramos um outro posto, uns 100 km ao norte, já com o fornecimento normalizado. Ali encontramos uns harleyros descendo. Eles estavam preocupados com a baixa autonomia da suas motos e queriam conselhos. Falamos para comprar uns galões da qualidade e encher, para não passarem apuros. Com sorte, sempre dá para abastecer, mas um tanque com menos de 15 litros é para passar raiva na estrada, ainda mais com ventos contra. 

Pena não podemos parar para conhecer melhor a região. Neste trecho havia muita coisa para conhecer, como por exemplo, Puerto Madryn, mas nosso rumo era para casa. Em San Antonio Oeste saímos da ruta 03 e subimos quase na vertical, pela RN 251 até a divisa das províncias de Rio Negro e La Pampa, está última província ainda considerada dentro da Patagônia argentina. Apesar de sairmos da RN03, continuamos com boas estradas e sem movimento até chegarmos na cidade de Rio Colorado, banhada pelo próprio. Cidade pequena, muito bem organizada, foi fácil de chegar ao hotel La Maison Gerber, um hotel tipo boutique, cuidado pelos próprios donos e muito confortável e agradável.

Ushuaia, volta
La Maison Gerber, Rio Colorado.

Saímos mais tarde para jantar, e vimos uma grande nuvem de fumaça, gigantesca. Perguntamos o que era e nos contaram que era um incêndio florestal de grandes proporções, mas do outro lado do rio. A cidade, ao cair da noite, mostra toda a sua cara provincial. Muita gente na rua, conversando ou voltando dos passeios. E como fomos descobrir depois, muita gente indo jantar fora, que parece ser uma instituição argentina. Muito legal de se ver.

Ushuaia, volta
Incêndio florestal, do outro lado do rio Colorado.

O hotel nos indicou o restaurante Ideal, onde também fica o hotel Ideal. E que restaurante excelente! Com exceção do restaurante em que almoçamos no Ushuaia, todos os outros foram muito acima da média. Tomamos nossos litrões, comemos a excelente carne argentina e voltamos para dormir. Não sem antes parar em uma sorveteria e se esbaldar com os também excelentes sorvetes.

Ushuaia, volta.
Ideal, Resto Bar.

Na hora de pagar a conta do hotel, o sistema de cartões deu uma pane e acabei tendo de pagar em dinheiro. Meses depois vi que o cartão tinha debitado a duas tentativas que havia feito! O dono do hotel, por e-mail, confirmou-me que não havia recebido, e em contato com a administradora do cartão, recebi o estorno alguns dias depois.

Décimo quarto dia de viagem

Rio Colorado – Capilla del Señor 15/01 -> 861 km

Mais um dia de deslocamento, agora rumo a região do entorno de Buenos Aires, Capilla Del Señor.  Já na saída paramos para abastecer, com fila e calor, já cedo. Seguimos o gps e de repente percebi que ele estava indicando fazer meia volta. Achei estranho e parei para ver o que podia estar acontecendo. Tínhamos perdido uma entrada, logo passando a polícia, onde deveríamos ter entrado a esquerda, em uma rodovia provincial. Entrando nela bateu um arrependimento, pois a estrada estava bem ruim, cheia de buracos. Mas passado uns quinze quilômetros, veio asfalto de qualidade e foi assim até Santa Rosa. Vantagem de passar por ali: praticamente nenhum movimento! A primeira parte da viagem foi rumo norte até Santa Rosa e, dali para frente, na ruta 05, por caminho já percorrido na vinda. Apesar de não gostar de passar pelo mesmo caminho, era a melhor opção para a volta. Nada de novo, região com muitas plantações, destaque para os campos de girassóis. O fato mais engraçado foi que ao chegar na pousada não encontramos ninguém. O dono da pizzaria em frente chamou o cara da pousada e depois de algum tempo ele apareceu. Disse-nos que enviou e-mail perguntando a hora em que chegaríamos e não respondemos, claro, e ele foi embora por que não haviam hóspedes naquele dia. Falou para que escolhermos o quarto e que durante a manhã, quando acordássemos, haveria alguém para servir o café da manhã. Dito e feito. Ficamos com a pousada inteira para nós!

Neste dia não houve fotos, pois a paisagem já conhecida também não revelava nenhum atrativo.

Décimo quinto dia de viagem

Capilla del Señor – Ijuí 16/01 -> 1013 km

Acordamos cedo para tomar o café e, conforme haviam prometido, lá estava a funcionária fazendo o café para nós. Na hora de ir embora, também, não tinha ninguém para receber a conta. A funcionária que fez o café da manhã disse que na rua, logo abaixo, havia um café, onde poderíamos encontrar o dono e pagar a conta! Foi o que fizemos, mesmo ficando ressabiados com tamanha confiança.

O Balcewicz resolveu usar está última ou penúltima perna para fazer um Iron Butt, e iria tocar direto até fechar os 1.600 km. Eu não estava com a menor disposição de terminar a viagem na correria e resolvi fazer o trecho até Ijuí. Após o abastecimento nos separamos pois ele aproveitou a pista dupla da RN 14 para colocar mais velocidade e aumentar um pouco a média horária. Eu fui de boa até Santo Tomé, onde faria a aduana Argentina-Brasil.

Ruta 14, subindo em direção ao Brasil

Da mesma forma que aconteceu no Chile, resolvi pagar com dinheiro um posto que aceitava cartão e isso foi uma burrada enorme, mais uma vez. Acontece que no segundo abastecimento não aceitavam cartão e naquela região, para variar, não tem muito posto de gasolina. Coloquei uns trocados, abasteci com o que restava do bidon e segui em frente. Sem dinheiro para comer! Quer dizer, sobrou uns pesos e comprei água, pois a minha tinha acabado. Só fui comer e abastecer quando cheguei no Brasil, passado das 05:30 da tarde. Estava azul de fome, com sede e com medo de pane seca! Depois de alguns meses, conversando com o pessoal do fórum, percebi que poderia ter tentado pagar em reais, já que ali é uma região fronteiriça, mas na hora nem me passou pela cabeça. Agora já aprendi: reservar dinheiro para o final da viagem, pagar com cartão enquanto puder e, se sobrar dinheiro, guardar para o ano que vem! 😉

Passada a aduana, entrei em São Borja para abastecer e, finalmente, comer alguma coisa! Entrei em contato com casa, descansei um pouco, me hidratei e segui para Ijuí, onde faria o último pouso da viagem. Foram mais 200 km.

Pernoitei no hotel F4, um conceito de hotel muito interessante, com quartos e garagens próximos, e na forma horizontal, aproveitando bem o terreno onde foi construído, recomendo!

Ushuaia, volta
Hotel F4, uma ótima surpresa em Ijuí.

Décimo sexto dia de viagem

Ijuí – Curitiba 17/01 -> 735 km

Depois de jantar muito bem no restaurante do hotel, preparei-me para a última perna da viagem. Desde ontem viajando solo, eu fiz este trecho pensando no quanto foi ótima a viagem para o Usuhuaia, tanto pelo lado cênico, quanto pelos perrengues pelos quais passamos. Sempre que acaba uma viagem você percebe que mudou e, certamente, posso assegurar que comigo não foi diferente. Experimentar outras partes da Argentina e Chile me deram mais segurança por andar ainda mais por estes países. E estender para os vizinhos, tais como Paraguai, Bolívia e Peru. Outra coisa que vou experimentar será acampar quando for possível, mesmo que a quantidade de tralha na bagagem aumente. E fazer mais fotos. Talvez por causa da influencia do Luciano, que faz fotos em nível profissional, mas o fato é que a viagem fica bem documentada e servirá para, daqui a unas anos, relembrar as experiências vividas. 

Saída cedo do hotel e já se percebe uma triste constatação: nossas estradas são mesmo um lixo. Eu rodei por mais de 9.000 km na Argentina e Chile e, por raríssimas ocasiões, o asfalto era bom. Atravessamos a fronteira e o que encontramos? Estradas esburacadas, típicas de um processo inadequado tanto com relação a carga quanto ao clima. Aliado ainda aos radares, combinação estúpida. Para se ter uma ideia, no dia anterior, vindo para Ijuí, bem no vale entre dois morros com subidas e descidas longas, havia uma viatura da PRF gaúcha multando o pessoal que descia o morro. Tive sorte, pois a placa da moto é apenas na traseira, e não deu tempo deles se virarem para fotografar a placa, mas ali é local para ficar? Qual a motivação para se fazer uma ratoeira como essas? Ajudar a fiscalizar a execução, ver se há garantias, cuidar dos aspectos de segurança no projeto da via, não vejo ninguém se metendo. Muito pelo contrário. É triste. Por este motivo, na próxima viagem vou entrar na Argentina o mais cedo possível para fugir destas arapucas e estradas mal conservadas.

Ushuaia volta
Plantações de soja em Ijuí.

Resolvi subir por Erechim e assim passar pela BR-153, de novo! Aproveitei para almoçar em Concórdia, em um restaurante que fazia tempo não visitava. Tive sorte, ainda estava aberto e funcionando. Terminado o almoço, e agora bem mais perto de casa, segui antes até um posto de gasolina, completei o tanque e segui o rumo. Adoro essa estrada, principalmente aquela região entre as divisas dos estados, na parte mais alta dos dois estados. É sensacional, pena que ali começou o tempo ruim. Se na viagem quase não teve chuva, hoje, bem no final da viagem, foi só o que peguei, com tempestades, inclusive. Parei em São Mateus do Sul para abastecer e lanchar e era só chuva o que caia do céu. As roupas para chuva fizeram sua função e mantive-me seco, exceto pela luva, pois não quis colocar a luva mais adequada , porém mais quente. Quase chegando em Curitiba a chuva deu uma trégua, mas a velocidade média baixou muito, o que resultou em médias de consumo excepcionais para a Tiger.

Ushuaia volta
Estado da moto depois da viagem.

Assim, terminei a viagem, cansado mas extremamente feliz. O companheiro Balcewicz também terminou com êxito sua viagem e conseguiu completar o Iron Butt. Como spoiler, essa foi a última viagem da Tex 1200 comigo.

A volta foi feita em 6 dias e a quilometragem rodada foi de 4905 km. 11.198 km no total.

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2 comentários para este artigo.

  1. Luiz Rubens on 26 March 2019 12:35 pm

    Rapaz que passeio gostoso esse de vocês. P A R A B É N S !!!!!!!
    Tem como me tirar algumas dúvidas?
    1 – Quantos quilômetros você conseguia fazer com um tanque de combustível na sua TEX rodando na Argentina e no Chile?
    2 – Por que “essa foi a última viagem da Tex 1200”?
    3 – Você tem uma estimativa total de custos com combustível, hospedagem e alimentação nessa viagem?
    Obrigado pela atenção.

  2. Renato on 28 March 2019 9:07 am

    Olá, Luiz! Vamos as respostas:
    1- Depende! Como em boa parte do caminho você encontra ventos de frente ou de lado, e muito fortes, a média cai consideravelmente, mas de acordo com o aplicativo que usei, deu 16,67 km/l para 11.100 km. Normalmente, entre 200 e 300 km. Dica, nas regiões mais desérticas da Argentina, ao ver um posto, abasteça.
    2- Porque eu a troquei por uma BMW R1200 GS Adventure, ano 2012.
    3- Como média geral fica mais ou menos 100 dólares por dia, rachando o hotel.

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