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October 5, 2012 - Viagem de motocicleta ao Uruguai – dia 02

October 5, 2012 -  ?> | 6 comments | Viagem

viagem motocicleta UruguaiSegundo dia de viagem, acordamos cedo e fomos tomar o excelente café da manhã do  Hotel Ibis. Está bem, 8:30 não é tão cedo! Animados pelo descanso, motocicleta arrumada e abastecida, fomos seguindo o trajeto indicado pelo GPS, com destino ao Uruguai. Continuamos pela RS-122 em direção a Farroupilha até encontrarmos a BR-116 em São Leopoldo. Aqui a rodovia estadual é melhor conservada com um longo trecho de serra, só que desta vez, descemos. Se a temperatura estava agradável em Caxias, logo após descermos um pouco ela começou a esquentar e foi assim o dia inteiro.

Contornamos Porto Alegre por fora, passando por Esteio e Canoas, e atravessando as pontes sobre o Delta do Jacuí, em direção à Pelotas, a maior cidade a nossa frente. E como a geografia muda nesta parte do Brasil. Longas planícies, mutos lagos e um insistente vento lateral, vindo do oceano. Este vento acabou por nos acompanhar a viagem toda.

Neste trecho encontramos muitos carros, pois a rodovia leva aos balneários gaúchos. Infelizmente é pista simples, como a maioria da rodovias brasileiras. Após muitos quilômetros de vento lateral e lindas coxilhas resolvemos fazer uma parada para abastecer  a motocicleta e comer algo, pois já estava próximo das 11:00 da manhã. Paramos no Restaurante e Lancheria Barbieri, ao lado do posto de gasolina, em Douradilho. Lugar super limpo, com ar condicionado e um pastel enorme, muito gostoso. Recomendamos a parada, mesmo sem termos almoçado por lá. Mas deu para perceber que a comida era boa! De volta a moto e poucos metros à frente descobrimos outra parada, talvez mais famosa, chamada Casa das Cucas (não procure no Google, o que mais tem no RS é casa das cucas). Fica  para uma próxima vez, mas se alguém tiver notícias, deixe nos comentários. Para quem vem de longe, saber de antemão onde encontrar uma boa parada faz toda a diferença. Mas o mais importante, como descobriríamos mais tarde, é parar onde há ar condicionado. Debaixo das jaquetas e calças e botas de motociclista o calor é terrível. Poder entrar em um local com a temperatura mais baixa e ficar um tempo secando a camiseta não tem preço!

Pouco depois do meio-dia passávamos por Camaquã rumo ao sul.  Próximo à Pelotas, na barragem Santa Bárbara encontramos um posto e um restaurante com os famosos doces de Pelotas. Após mais um abastecimento fomos provar os tais doces. E são simplesmente sensacionais, pena não conseguir comer mais do que dois. A parada foi no Paradouro Barragem e o atendimento não foi dos melhores. Salvaram-se os doces estes sim, deliciosos. Na sequência Pelotas, que contornamos por fora.

Aqui deixamos a BR-116, que nos acompanhava desde Curitiba e entramos na BR-393, que liga Pelotas a Rio Grande. Desta também só vimos o que é possível ver passando longe. E finalmente a BR-471 que leva ao ponto extremo sul do Brasil, Chuí, fronteira com o Uruguaui. Praticamente uma grande reta que leva ao sul, passando ao lado da lagoa Mirim e do banhado do Taim. Aqui outra decepção, esperava ver mais vida selvagem, mas para isto você deve entrar no banhado, se quiser ver algo diferente de capivaras e gado. A rodovia entra na Reserva Ecológica do Taim, onde a velocidade é monitorada e o que se vê são duas grandes valetas, ao longo da rodovia com capivaras tomando banho de sol. E ao lado os pastos com gado! Fica a dica, se quiser ver algo mais do que pastos é necessário entrar na reserva.

Agora só restava chegar ao Chuí. E procurar um hotel, por que não havíamos feito reserva! Encontramos um bom hotel, já no Uruguai, próximo a fronteira, mas ele não tinha uma página segura para enviar o número do cartão de crédito. A outra opção que nos deram era fazer um depósito em uma conta uruguaia. Aí já viu, não é? Fomos tentar a sorte!

Batemos em todos os hotéis que estavam registrados no GPS e não havia vaga. Detalhe, ali é uma espécie de Paraguai, uma zona franca, era sábado e o mês era janeiro. Uma combinação, que iríamos descobrir, fatídica! Fomos até o Hotel Fortín de San Miguel,  no Uruguai,com sua arquitetura lembrando o Forte de São Miguel, a alguns quilômetros da fronteira, e nada de vaga. Achamos uma pousada em Chuí, com banheiro coletivo e torcemos o nariz.

A solução encontrada foi entrar no Uruguai e ver se encontrávamos um lugar para dormir. Fizemos a imigração, onde foram solicitados os passaportes, documento da moto e carta verde, apenas isto. Fomos conhecer o Chuí deles, Barra del Chuy, um balneário muito parecido com os nossos, estrada de chão, muitos campings lotados (já era um aviso!) e cheio de gente nas ruas. Quase cheguei na fronteira, agora no lado do oceano, onde queria fotografar o marco 1-P do IBGE, como havia combinado com o amigo Mitio. Mais um motivo para voltar lá!

Nada por ali, descemos mais um pouco e encontramos um hotel resort (Parque Oceânico Hotel), em La Coronilla, que tinha um quarto por apenas uns R$600,00. Felizmente já tinha um casal na frente vendo as acomodações. Toca descer mais um pouco. Agora Punta del Diablo. Já na entrada os campings lotados. Carro por todos os lados na estrada que leva à cidade. Na primeira parada para perguntar se havia vaga, nada. Nem pensamos em entrar na cidade, pois acreditamos que estava tudo lotado. Voltamos para estrada. Agora iríamos conhecer Castillos, uma pequeníssima cidade, talvez uma vila, com um único hotel. Sem vaga!

Neste ínterim o sol já estava indo dormir! Seguimos pela Ruta 9 até Rocha, uma cidade maior, afastada da costa. Quem sabe teríamos sorte. No GPS encontramos três hotéis nos quais, evidentemente, não havia vaga. Aqui percebemos um pouco da maneira uruguaia de ser. Bem diferente dos brasileiros, que fazem de tudo para ajudar, o uruguaio responde o que foi solicitado e acabou. Nenhuma ajuda,  nenhuma sugestão de como encontrar uma solução. E até aqui já havíamos percorridos 734 km. As tiras já estavam se soltando!

Na entrada da cidade vimos que havia um motel. E era um bolicho! Será que teríamos de ficar por ali? Resolvemos jantar antes, mas a fome foi embora enquanto líamos o menu do restaurante. Tanta coisa boa e nós apenas preocupados em onde ficar. Resolvemos, em uma noite quente de janeiro, tomar um prato de sopa: crema de choclo. Estava ótima, por sinal. E voltamos até a entrada da cidade para ver se haveria um quarto ou se deveríamos tentar a sorte em Punta ou até mesmo Montevidéu. Havia! A Patrícia desceu da moto e foi ver o quarto. Só pela olhar dela já dava para antever o que era. Mais, era o último e pelo visto outras famílias também tiveram de encarar o dito cujo.

As instalações eram simples. Um quarto com banheiro (com água quente, pelo menos) sem box ou cortina, com janela para a rodovia, lâmpada verde na luminária, lençóis que estavam ali desde o século passado e, bem, deixa para lá. Depois de um banho quente só restava dormir. Para resumir, a Patrícia dormiu com calça comprida, a jaqueta de fleece e meias! Enfim, conseguimos dormir um pouco, pois era um entra e sai, motoqueiros locais parando para conversar com o porteiro e tudo o mais. Sem contar os pernilongos, que pelo visto, adoraram o sangue brazuca. Por módicos R$50,00, passamos a pior noite de nossa vidas.

Leia com foi o terceiro dia da nossa viagem de motocicleta ao Uruguai.

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Caxias do Sul - Rocha (UY) - 07 de janeiro 2012
Caxias do Sul, RS Rocha, UY
812 12:11 Sol, 25
66,6 Mapa

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6 comentários para este artigo.

  1. Moto Explorer :: Viagem Viagem de motocicleta ao Uruguai - dia 01 on 5 October 2012 2:03 pm

    […] entre 21 e 22 km/l. Muito bom, mas as estradas aqui tiveram muitas serras e curvas.Leia como foi o segundo dia da viagem ao Uruguai. […]

  2. Moto Explorer :: Viagem Viagem de motocicleta ao Uruguai - dia 01 on 9 October 2012 9:36 am

    […] entre 21 e 22 km/l. Muito bom, mas as estradas aqui tiveram muitas serras e curvas.Leia como foi o segundo dia da viagem ao Uruguai.wpa2a.script_load();Curitiba – Caxias do SulCuritiba, PRCaxias do Sul, RS5718:44Sol, […]

  3. Edvaldo on 29 October 2012 4:05 pm

    Boa tarde esta lendo sua aventura e gostei estou indo para serra do rastro e uruguay mato groso ,goias e brasilia e depois no ponto de saida que é em osasco, a carta verde tiro ela aonde?
    obrigado

  4. Renato on 29 October 2012 4:51 pm

    Obrigado pela visita. A carta verde pode ser feita em qualquer seguradora brasileira. Por outro lado, já li que sai mais barato tirar na fronteira, Chui, por exemplo, mas não tenho certeza. Ela é por tempo determinado, portanto, deixe uma folga de alguns dias para ter cobertura caso ocorra algum problema.

  5. Edvaldo on 30 October 2012 6:28 am

    eu agradeço muito obrigado vou tentar tirar la vlw

  6. Moto Explorer :: Sem classificação Viagem ao Uruguai, dia 08 - Moto Explorer on 30 August 2015 7:53 pm

    […] assim até chegarmos em Rio Grande. A passagem pelo Taim foi tranquila, já havíamos passado na outra viagem. Só que dessa vez, ao invés de seguir em direção a Pelotas, entramos para Rio Grande, um grande […]

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