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February 12, 2013 - Rastro da Serpente

February 12, 2013 -  ?> | 11 comments | Viagem

O passeio

Rastro da SerpenteRastro da Serpente em plena segunda-feira de carnaval, dia ideal para conhecer um dos roteiros moticiclísticos que despontam na região Sul-Sudeste. A estrada chamada de Rastro da Serpente é na verdade duas: a BR-476, que vai de Curitiba até Adrianópolis, divisa com São Paulo e a SP-250 (ou BR-353). Convencionou-se como início do Rastro da Serpente a cidade de Capão Bonito, SP, talvez devido a boa infra-estrutura que a cidade oferece. Para quem vem de São Paulo o acesso se dá por pista dupla pela SP-127. O final do Rastro da Serpente,segundo minha interpretação é a cidade de Bocaiúva do Sul. Para falar a verdade, de Capão Bonito até Apiaí, a serpente está completamente esticada!

Nós fizemos o caminho inverso, saindo de Curitiba e indo até Capão Bonito e a volta pela BR-116, atravessando o belo Parque Estadual Carlos Botelho. Saímos de Curitiba em três motos: Paulo e sua valente Aprilia Cube Pegaso 650, Hamilton e esposa em uma V-Strom e a Patrícia e eu na nossa V-Strom. Marcamos a saída às 7:00 da madrugada e saímos com um pequeno atraso, mais o tempo para chegar até o trevo do Atuba, acredite se quiser, mas havia tráfego e centenas de sinaleiros. O bom é que logo que passamos por Colombo, a serpente já mostra o seu rastro. A partir dali as curvas parecem não acabar, limitando bastante a velocidade. O começo do passeio foi molhado, sem chuva, mas com o asfalto bastante úmido. Depois já pegamos pista seca e o sol foi aparecendo de maneira bem tímida, o que foi bom.

Paradinha rápida em Tunas do Paraná para visitar o banheiro de um posto e seguimos em direção à divisa de estado. Essa região do Paraná destaca-se pela altitude, em média próxima dos 1100 metros, com o relevo bastante acidentado. Resultado, em vez das lavoura ou pecuária, extensos reflorestamentos com pinus e eucalipto. Ou seja, desmatamento da mata atlântica para “reflorestar” com espécies invasoras. E dali do alto começa-se a avistar o vale da Ribeira. Nesse dia todo encoberto por nuvens baixas, instigando a mente do que iríamos encontrar lá embaixo.

A região é muito bonita e foi declarada pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. 61 % da mata atlântica brasileira  encontra-se nessa região (Fonte: Wikipedia). Só faltou avisar aos dirigentes: a região é a menos desenvolvida do Paraná e de São Paulo. O potencial para o turismo é imenso e subaproveitado. Há muito o que fazer por ali e acredito que esse roteiro de mot0-turismo seja uma grande oportunidade.

Paramos na divisa dos estados para fotografar a placa e esticar as pernas. A partir deste ponto a estrada piorou consideravelmente, pois a parte paulista é de responsabilidade do estado. De Ribeira até Apiaí o sujeito vai pagar os pecados, pois são tantos os buracos quantas foram as curvas até então. Os buracos são remendados com terra e a base da estrada parece não ser muito bem construída, logo, se chover, a lama abunda! Outro fator que merece ser destacado é que em Apiaí existe uma cimenteira e dali os caminhões partem em direção ao Paraná. Adivinhe?

Chegamos em Apiaí e passamos direto pela placa. Não fosse o Paulo precisar abastecer não a teríamos visto. Ao parar no posto da Petrobras vimos os diplomas e a placa em frente a praça. Surpresa foi encontrar um ex-aluno justamente no posto. Felipe trancou o curso de engenharia mecânica e ficou ajudando os pais no posto. Dica dele foi o restaurante Grego, no qual almoçamos uma excelente comida caseira. O restaurante fica bem em frente a praça onde tem a placa.

Barriga cheia, pernas e bundas descansadas, fomos tirar as fotos na placa do Rastro da Serpente e seguir até Capão Bonito, onde o roteiro começa. Encontramos facilmente o Porthal Rastro da Serpente, bar temático que recepciona os motociclistas. Logo conhecemos o proprietário, Arthur, que nos deixou à vontade, contando histórias dos moto-turistas que por ali passam. O bar tem como decoração motos. Inclusive uma Moto Guzzi, linda, estacionada ali dentro. Ali também é possível adquirir o “certificado de conclusão”, compra patches para jaquetas e pins (estes em falta), além de camisetas, miniaturas e outras coisas. Nos fundos ou na rua ao lado, uma oficina de motos oferece alguma ajuda se for preciso.

E foi ali que encontramos mais um casal de Curitiba em uma Versys. Waldemir e Eliana, eles partiram mais tarde de Curitiba, mas não pararam em Apiaí. Seguimos todos juntos para Curitiba, agora em quatro motos. E depois de tantas curvas e buracos, sair de Capão Bonito por uma rodovia com pista dupla parece um sonho.  Tocamos até a entrada para São Miguel Arcanjo, onde tomaríamos a SP-139 (Rod. Nequinho Fogaça) que liga esta cidade até Sete Barras, quase no nível do mar.

Se o Rastro da Serpente já vale a pena para passear de moto, quem tiver uma big trail ou espírito aventureiro vai gostar de descer a serra do mar por esta rodovia. Dentro do parque ela não é pavimentada, tendo mais ou menos uns 35 km de estrada de chão bem nomeio da serra do mar. O visual é deslumbrante. Mesmo com um moto custom é possível atravessar o Parque Estadual Carlos de Botelho. Assim, apesar de a volta ser maior, a passagem pelo parque e o retorno pela BR-116 facilitam as coisas após um dia em cima de uma moto.

O governo do estado de São Paulo mantém um site onde é possível ter maiores informações a respeito dos parques estaduais:

http://www.ambiente.sp.gov.br/ecoturismo/.

Como um passeio de moto sempre tem emoção, a moto do Paulo resolveu se livrar da placa. Ela simplesmente quebrou e caiu. O Hamilton que vinha atrás viu, junto e avisou o Paulo. Na beira da estrada alguns agricultores estavam fazendo manutenção em suas máquinas e gentilmente emprestaram arame e um alicate. Interessante foi que após o ocorrido a moto do Paulo ficou sem bateria. Vai saber que o que a placa tem a ver com a bateria 😉

A última parada foi no Graal Buenos Aires para descansar o corpo, abastecer as motos e fazer um lanche. Ali começou uma chuva de verão enquanto comíamos, suficiente para molhar bem o asfalto. Mas foi só, apesar do spray lançado pelos caminhões, foi pouca chuva. E ao chegar em Curitiba também pegamos uma pancada rápida.

Enfim, um passeio longo, com um visual excepcional, um roteiro que tem tudo para se firmar no moto-turismo e a volta pelo parque em plena serra do mar. Sem acidentes ou maiores problemas, a companhia de todos só fez o dia mais divertido. Na volta pela BR-116 o grupo se dispersou, cada um fazendo a tocada na sua maneira. Chegamos em casa às 22:04 com mais de 600 km. Foi ótimo!

História do Rastro da Serpente

O nome Rastro da Serpente foi uma criação do PHD Chico. Para quem não sabe, PHD significa “Proprietários de Harley Davidson” um grupo brasileiro equivalente ao HOG (Harley Owners Group). Conta a lenda que depois de fazer a rota e surpreso pela quantidade curvas, veio a mente outra meca do moto-turismo: o Tail of the Dragon, com 11 milhas e 318 curvas (ainda precisamos contabilizar as curvas da nossa).  O próprio Chico confeccionou as placas que são encontradas pelo caminho.

Nas próprias palavras do criador:

Este nome surgiu em minha mente, dias mais tarde ao me lembrar das fortes experiências que tive, ao percorre a bela estrada que serpenteia entre Capão Bonito – passando por Apiaí, em SP e prossegue por Ribeira, Adrianópolis, Bocaiúva do Sul – e Curitiba, no Paraná.
No trajeto de ida, no sentido PR – SP, alguns amigos “apearam” de suas motos em movimento, sem conseqüências mais graves, além de um grande susto. Na volta, mais outros amigos dispensaram repetir a emoção, preferindo voltar pela BR 116, que também é traiçoeira, mas já é uma cobrinha bem conhecida de todos os PHD.
Nesse trajeto, entre Capão Bonito – SP 250 e Curitiba – BR 476, há um trecho de 157 km que é pura adrenalina. Foram tantas curvas fechadas, que consumiram algo em torno de 4 horas de nossa viagem.
Vale lembra que todos que já comentaram comigo sobre essa estrada, afirmam que em todo grupo, sempre alguém se descuida e cai.
Esse caminho é muito recomendado por vários PHD, incluindo a mim, que afirmamos que O Rastro da Serpente não deve nada, em dificuldade e beleza, a estrada The Tail of The Dragon, americana.
Fiquei tão animado com a estrada, que vou fazer contato com as prefeituras (setor de turismo) das cidades, no roteiro, a fim de adotar essa minha sugestão de nome “Rastro da Serpente”, oficialmente, criar, um merchandising local (logo, slogan, camisetas, adesivos, pin etc) e apoio de hotelaria, a fim de promover o roteiro para o moto turismo.
Outra idéia que será proposta é criar a “Arvore da Vergonha”, que será uma grande árvore, em um determinado local de parada, onde serão colocados os pedaços deixados pelos tombos dos que se comportaram como “meninos” e não souberem respeitar os limites e nem as artimanhas dessa bela estrada.
A propósito do “menino”, recordo que durante essa viagem, um PHD de São Paulo, que estava conosco, comentou que para passarmos por ali, “os meninos deveriam se transformar em homens”. Para quem não entendeu a tradução é simples: “Cuidado meu amigo, aqui você tem que agir com responsabilidade, deixando as brincadeiras imaturas para outros momentos. Do contrario, o Rastro da Serpente vai jogar você no chão, sem perdão. Assim, se você não é apressadinho e gosta de curtir as belezas do caminho, fica a sugestão aos PHD para conhecer essa maravilhosa estrada. Mas, sem esquecer a frase do PHD de São Paulo, em resumo: “Recomendado apenas para Homens. Meninos; Não.”

Quanto a história dos homens e dos meninos, bem deixa para lá. Harleys não foram feitas para fazer curvas!

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Rastro da Serpente
Curitiba, PR Registro, SP
400 km 11:00 Nublado, 25
60 117 Mapa

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